A Percepção de Deus

Há milênios atrás, na Pré-História, quando o homem abandona a solidão da caverna e dá início a seu convívio social em grupos, inicia sua trajetória em busca da compreensão do mundo que o cerca e de si mesmo. Neste momento aprende sobre suas limitações físicas, sobre a dor, a fome, o frio; e também sobre os demais seres vivos que o rodeiam, sobre os vegetais, os minerais e, por último, sobre os elementos e fenômenos da natureza. É neste instante, e muito provavelmente em virtude de sua incapacidade de dominar os fenômenos naturais, ou sequer compreendê-los, que o homem se indaga sobre sua origem e a de todas as coisas, atribuindo suas existências e eventos a um ou mais seres superiores e inatingíveis, a quem chama de Deus. Ao longo dos séculos, diversas religiões e correntes filosóficas buscam incessantemente traduzir para os homens a essência da Divindade e sua manifesta existência, dando-lhe nomes e atributos inerentes a cada cultura e civilização em particular.
Antagonicamente, a ciência trava uma batalha igualmente incansável no sentido de demonstrar que a vida e o Universo são o resultado da simples aplicação de leis físicas, químicas e biológicas, Com efeito, se analisarmos os fatos , mesmo à luz de qualquer princípio místico, veremos que esta é uma afirmação correta, ao menos em sua manifestação no plano material da existência. No entanto teremos igual certeza de que tais leis e princípios não foram produzidos pelo homem, nem tampouco fruto do mero acaso, muito embora tenha sido capaz de compreendê-los e enunciá-los. Isto é o que busca o místico: a percepção de Deus.  É correto afirmar que há uma Divindade em nosso interior, porém, a grande maioria das pessoas pensa no Criador de todas as coisas como um Ser externo ou uma energia externa pairando no Universo. É verdade que Deus, o Princípio Criador da vida e do Universo está presente em todas as partes de Sua Criação, porém nossa percepção de Deus é uma experiência interior somente atingida pela elevação da consciência. É comum a idéia de que a compreensão da natureza de Deus pode ser adquirida através do estudo. Contudo, a percepção de Deus só pode ser alcançada vivendo-se a experiência mística de uma busca individual e íntima Dele e do significado da vida. Por isso os Rosacruzes, com propriedade, chamam esse Princípio Criador de “Deus de meu entendimento”. Se estamos em busca de Deus, devemos ter a firme convicção da existência de um Supremo Ser Espiritual e assumir a missão de viver de modo a nos tornarmos dignos de merecer o privilégio da vida. Podemos iniciar nossas atividades diárias com uma pequena meditação e um agradecimento pelo que já recebemos e pelas oportunidades que ainda teremos. Fazendo isso proporcionamos os meios para que nossa Essência Divina Interior se manifeste um pouco e cada vez mais em nossas personalidades. As práticas místicas proporcionam uma maior harmonização do homem com o Deus que existe no interior de si mesmo, fazendo a perfeição da alma humana, reflexo da Alma Divina, brilhar através do corpo material e irradiar sua Luz para todos em sua volta.

Sergio Antonio Machado EmiliãoMestre Maçome Frater Rosa Cruz