2012 e o Fim do Mundo

Nosso pequeno Planeta Azul já viu o anúncio da expiração de seu prazo de validade algumas centenas, ou talvez milhares de vezes, proclamado: Apocalipse, profecias de Nostradamus, textos sagrados, e, atualmente na moda, as profecias Maias que estabelecem o fim dos tempos em 21 de dezembro de 2012, ensejando a publicação de livros e produções cinematográficas.
Desde tempos imemoriais a humanidade parece aguardar, ou assumir como futuro inevitável, a ocorrência de um castigo ou punição por conta de seus maus atos que só poupará os merecedores.
Foi assim no início da Era Cristã, na virada do primeiro milênio d.C., por quase toda a Idade Média, no ano 2000, e agora na transição da enigmática Era de Aquarius.
As religiões divergem, mas não concluem, agarrando-se a seus dogmas e textos sagrados para defender tanto a hipótese positiva quanto a negativa; a ciência apressa-se a proclamar que não há indícios de cataclismos ou de fenômenos naturais que possam extinguir a vida na face da Terra num futuro próximo; as Escolas Iniciáticas e Tradições Esotéricas proclamam a mudança e evolução da humanidade; os ufologistas defendem a tese da interferência de seres extraterrestres para nossa salvação, e os materialistas apostam nas guerras e epidemias para a catástrofe derradeira. Lá no fundo de nossas almas, por mais tímida que possa ser, reside uma dúvida quanto a veracidade destas profecias e apostas.
Ao que parece o homem anseia por uma intervenção externa, seja alienígena, sobrenatural, ou divina, para acertar suas contas, expiar seus pecados e proporcionar um recomeço mais confortável e seguro.
Apoiando-me nas teses de Carl Jung, penso que vivemos uma crise coletiva de consciência, na qual o homem reconhece tanto suas faltas e erros quanto a sua completa incompetência em reverter a situação e construir um mundo melhor. Neste sentido a humanidade lança de tempos em tempos um pedido de SOS coletivo e global, na esperança de que seres superiores possam ouvir seus lamentos intervir em seu favor e separar o joio do trigo. Passar nossa responsabilidade adiante e para outrem sempre será mais fácil e atraente, mas será correto?
A mesma raça que no Livro do Genesis, incentivada pela serpente – “eritis sicuti dii scientes bonum et malum” – arvorou-se a se tornar Deus, recua sempre como uma criança amedrontada e insegura diante de sua imaturidade.
Talvez os Maias, cujo desaparecimento continua nos intrigando, tenham apenas encerrado seu calendário em dezembro de 2012 por estarem fugindo de algo. Talvez a transformação da humanidade tão proclamada pelas religiões e Escolas Iniciáticas através dos tempos dependa apenas de nós mesmos. Se realmente somos dotados de Livre Arbítrio cabe a nós, e não a agentes externos, a tarefa de trabalhar e contribuir para a evolução de nosso mundo.
Acho realmente que a transformação tão esperada deve ocorrer em nós mesmos, em nosso Eu Interior. Cada uma de nossas atitudes, por menor que seja, interage em nosso meio e no ambiente que frequentamos, e daí reúne-se coletiva e progressivamente em todo o planeta dirigindo-o exatamente para um determinado ponto, que mesmo desapercebidamente foi estabelecido e projetado por nós e por nossa vontade.
São os homens que fazem as guerras, que disseminam as pragas, que semeiam o ódio; e não os deuses.
Mas, da mesma forma, estes mesmos homens são capazes de semear o Amor e construir positivamente. É uma simples questão de escolha.
Assim sendo, por que a partir de amanhã não passamos a cumprimentar aquele vizinho que achamos antipático? Por que não passamos a sorrir com maior frequência? Por que não procuramos ver em nosso próximo alguém com os mesmos anseios que nós?
Se os Maias estiverem certos e o mundo se acabar em 2012 não teremos como discutir a fragilidade de meus argumentos, porém, se isto não ocorrer e tivermos praticado os atos do parágrafo anterior durante o tempo de espera, talvez o mundo tenha se tornado um pouco melhor, ou, pelo menos, nossas consciências estarão mais leves.
Afinal, por mais que pareça um trocadilho, fazer o Bem não faz mal a ninguém!

Sergio Emilião
M.M. - FR+R.C